CINCO SALMOS (COMENTADOS)

Rodolfo Domenico Pizzinga

Música de fundo: Brandenburg Concert nº 2
(Johann Sebastian Bach)

Fonte: http://www.karadar.it/Dictionary/midi.html

 

INTRODUÇÃO

 

Para este trabalho escolhi alguns trechos de cinco Salmos que serão rapidamente comentados à luz de um entendimento místico pessoal. Não busquei aportes ou suportes em outros pensadores e não descarto nem desdenho outras compreensões. Inclusive acredito que as percepções são mutáveis, e mudam mesmo de acordo com a representação ascensional que temos da vida e da própria infusão em nós do Bem Universal. Ou seja: da Vida.

 

 

Salmo nº 1

Bem-aventurados os homens que não se deixam levar pelo conselho dos ímpios, não andam pelo caminho dos pecadores e não se sentam na reunião dos maus.

Comentário

Não há nada mais difícil para o ser humano comum do que resistir a uma tentação. Mas, o que é uma tentação? O que é uma tentação tolerada? Nada mais, nada menos, do que a sucumbência consentida a um impulso originado em nosso próprio interior decorrente de um certo tipo de catálise, que tanto pode ter origem interna quanto externa. De qualquer sorte, a dependência, a submissão e a vassalagem às tentações são relativas e derivadas do Corpo Astral, que age ininterruptamente sobre o homem tentando impor todos os tipos de descaminhos, na maior parte das vezes sendo bem sucedido. E esse impulso, no caso, tende para ser destrutivo tanto para quem cede, quanto para quem é alvo da destruição, ainda que o desmanche comece a operar primariamente naquele que se deixa dominar por essas forças desagregadoras. Nos tempos em que estamos vivendo (2005), parece ser óbvio para todos nós que aquilo que é definido e entendido como mal está se manifestando de forma acelerada. Isto simplesmente é decorrente de um acúmulo sinérgico de toda a criminalidade – secular e religiosa – que vem sendo posta em execução nestes dois últimos milênios – particularmente no século XX e neste início de século – sendo, na contemporaneidade, a pior delas a Globalização — Mater Putrida de todas as inépcias morais, de todas as desonestidades e de todas as desonras. E as religiões não estão fora desse contexto tenebroso. Não que a Globalização seja um mal em si; ao contrário, é boa, útil e desejável. Mas, não da forma como está sendo implementada, pois os países pobres estão se tornando cada vez mais pobres e dependentes dos países ricos, e os países ricos não sabem mais onde aplicar os lucros da espoliação planetária, de tão ricos que se tornaram. Sobra dinheiro no Mundo! Mas, raríssimo é aquele (grupo ou indivíduo) que não viva ou pense em levar algum tipo de vantagem, seja essa vantagem considerada lícita ou mesmo sendo ilícita. Honestidade tornou-se sinônimo de babaquice. E isto, no momento, parece não ter solução. Pelo menos não no campo da Economia — a Machina-Mater das transfusões ilícitas e não-fraternas de todos os recursos e de todas guerras fratricidas. O desenvolvimento insustentável, o massacre e o desrespeito aos sistemas ecológicos, o aquecimento planetário, a poluição dos mares e dos rios etc. já está também cobrando o seu doloroso preço. Das reuniões dos maus – que costumam posar de bons – não podemos participar, ceder, apoiar e fingir que não sabemos ou que não vemos. Omissão e comissão são faltas equivalentes. Quando alguém lucra alguma coisa, alguma ilicitude foi praticada, pois, para alguém lucrar, alguém terá inevitavelmente que perder. O mínimo que acontece (sempre aconteceu) são as sobrevalias (diferença escorchadora entre o valor produzido pela força de trabalho e o custo de sua manutenção).1 Precisamos dizer (ou aprender a dizer) NÃO aos conciliábulos dos maus. O terceiro segredo de Fátima (não importando se é real, se é fictício, ou se é simbólico) parece ter sido (ou estar sendo) suave como vaticínio em relação ao que hoje se assiste na Terra! A coisa toda está realmente se tornando insustentável e incontrolável.

Precisamos dizer NÃO.

 

 

Salmo nº 4

Até quando, ó poderosos, sereis duros de coração? Até quando amareis a vaidade e buscareis a mentira?

Comentário

Os poderosos são poderosos e continuarão poderosos enquanto cada um e todos permitirmos. Existe a complacência porque existem o medo e a dependência. Permitimos porque somos fracos; permitimos porque temos medo; permitimos porque sonhamos com as migalhas que nos são prometidas e oferecidas; permitimos, enfim, porque não sabemos como não permitir, e nem estamos, muitas vezes, interessados em nos libertarmos para podermos não mais permitir. Mas, no momento adequado, se sentirá maldito tanto aquele que fez sofrer, quanto aquele que permitiu o sofrimento. No fundo, são cúmplices o senhor e o escravo, o que não deixa de ser uma forma de sadomasoquismo.

 

 

Salmo nº 6

Estou esgotado de tanto gemer...

Comentário

 

Estou esgotado de tanto gemer...

Estou esgotado de tanto sofrer...

Mas não sei o quê fazer

Para me libertar deste padecer.

 

 

Ouve, então, ó meu irmão:

Será tão-só no Coração

Que encontrarás a libertação

— Vereda para a SANTA  ILLUMINAÇÃO!

 

Salmo nº 21

Ó Deus meu, por que me desamparaste? Estás longe das preces e das palavras do meu clamor...

Comentário

 

Enquanto Deus for procurado do lado de fora

Jamais poderá ser encontrado.

A noiva só encontrará o noivo abençoado

Quando olhar para dentro e renunciar ao que está fora.

 

 

Salmo nº 150

 

 

 

Aleluia! Louvai o Senhor no Seu Santuário...

Comentário

O Senhor (nosso Mestre-Deus-Interior) só poderá ser louvado se existir; para existir precisa ser construído; para ser construído precisa ser projetado; e para ser projetado... Humildade e Iniciação. In Corde! Um Deus coletivo só produz um tipo de coisa: DISCÓRDIA.

 

 

 

 

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Nota

1. Suponhamos que um operário seja contratado para trabalhar 8 horas por dia em uma fábrica de motocicletas para produzir duas motos por mês. O patrão lhe paga R$ 16 por dia, ou seja, R$ 480 por mês ou R$ 2 por hora trabalhada. O patrão vende cada moto por R$ 3883. Deste dinheiro, ele desconta o que gasta com matéria-prima, desgaste de máquinas, encargos, impostos, energia elétrica etc. Vamos supor que esses gastos somem R$ 2912. Logo, sobram de lucro para o empregador R$ 971 por moto vendida (3883 - 2912 = 971). Se o operário produz duas motos por mês, ele produz, na verdade, R$ 1942 por mês (2 x 971). Se em um mês ele trabalhar 240 horas, produzirá aproximadamente R$ 8,1 por hora (1942 ÷ 240 horas). Portanto, em 8 horas de trabalho (ou um dia) ele produz R$ 64,8 (8,1 x 8) e ganha R$ 16. A mais-valia (ou sobrevalia) é exatamente o valor (ou riqueza) que o operário cria (ou gera) além do valor de sua força de trabalho. Se sua força de trabalho é equivalente a R$ 16 e ele cria R$ 64,8 de riqueza, a mais-valia que ele dá ao capitalista é de R$ 48,8 (64,8 - 16). Ou seja, o operário trabalha a maior parte do tempo de graça para o patrão!

Mais uma vez recomendo a leitura da obra Vril, The Power Of The Coming Race (A Raça Futura Que Nos Suplantará) de Bulwer Lytton. A trama do livro se passa em um reino subterrâneo, e esse mundo imaginário corresponde, em muitos aspectos, à Sinarquia de Agartha referida, entre outros, por Saint-Yves D'Alveydre, René Guénon e Raymond Bernard (este último homônimo do místico Rosacruz conhecido de todos os espiritualistas). A lenda de Agartha diz que quando a instrução desse povo estiver concluída, ele está destinado a regressar ao mundo superior (superfície da Terra) e a suplantar (pelo amor) todas as raças inferiores que aqui ainda se exploram e se matam entre si por ninharias.

No livro referido – A Raça Futura Que Nos Suplantará – Bulwer Lytton ensina:

1º - Não há felicidade sem ordem, não há ordem sem autoridade, não há autoridade sem unidade.

2º - A injustiça, dizem, pode emanar de três causas: falta de sabedoria para compreender o que é justo, falta de benevolência para o desejar e falta de força [interior] para o cumprir.

3º - [A] justiça perfeita emana forçosamente da perfeição do conhecimento para a conceber, da perfeição de amor para a querer e da perfeição de poder para a concretizar.