(1865 – 1916)
EXCERTOS MÍSTICOS

 

 

 

Papus

 

 

Rodolfo Domenico Pizzinga

Música de fundo: Prelúdio (Brahms)

Fonte: http://www.damadanoite.adm.br/classicas.htm

 

A animação em flash abaixo apresenta 7 fotografias relacionadas à vida de Papus. Ela foi elaborada a partir de imagens disponibilizadas em vários Websites e foi construída com uma velocidade de mudança de moldura de aproximadamente igual a 7 segundos.

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

érard Anaclet Vincent Encausse era o nome do ocultista, magista, astrólogo, alquimista, quiromante, fisiognomonista, hipnotizador, cabalista, radiopata, e, acima de tudo, místico Rosacruz e Martinista francês que nasceu, em realidade, em Coruña, Espanha, em 13 de Julho de 1865, e veio a falecer em Paris em 25 de Outubro de 1916 em decorrência de uma grave enfermidade contraída nas linhas de frente da 1ª Grande Guerra, onde atuou como médico com o posto de major-médico. Gérarad formou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Paris (França), e sua tese de doutorado versou sobre as doenças nervosas, época em que manifestou o mais profundo materialismo. Mas, logo teve o desejo de pesquisar os arcanos do ocultismo, tendo por Iniciador Saint-Yves D'Alveydre.

 

1ª moldura: Saint-Yves
2ª moldura: O Arqueômetro

 

Seu primeiro livro publicado – com a idade de vinte e quatro anos – foi Thérapeutique Intégrale, no qual estabeleceu uma classificação das doenças, bem como os cuidados essenciais e necessários para cuidar dos enfermos. Ainda jovem exerceu o cargo de Chefe do Laboratório do Hospital de Caridade de Paris.

O pseudônimo de PAPUS foi adotado pela primeira vez no folheto Comment Je Devins Mystique, tendo sido retirado da obra Nuctemeron, de Apollonio de Thyana, livro traduzido por Éliphas Lèvi.

Com o auxílio de vários colaboradores dedicados, fundou o Grupo de Estudos Esotéricos, a Ordem Kabalística da Rosa†Cruz, a Sociedade Alquímica da França e a Ordem Martinista – esta com a cooperaração fundamental de Augustin Caboseau e que alcançou pleno sucesso por volta de 1891. Papus foi eleito o primeiro presidente do Conselho Supremo da Ordem Martinista e o seu primeiro Soberano Grande Mestre, cargos que exerceu de 1888 até a sua morte em 1916. O Conselho Supremo da Ordem Martinista tinha, na época, plena autoridade sobre todas as Heptadas Martinistas do Mundo.

 

 

O Tratado Elementar de Magia Prática, segundo seu tradutor E. P., é a mais completa de todas as obras sobre o assunto. Foi deste livro de Papus que foram colhidos os fragmentos que comporão este documento.

 

 

Não devo concluir esta resumida Introdução sem fazer uma breve reflexão. Papus, acima de tudo, foi um místico — um Rosa+Cruz e um Martinista. Para desgosto de alguns de seus admiradores, no final de sua vida, desinteressou-se da Magia para seguir a Senda Cardíaca (ou Senda Mágika do Coração), preconizada pela Ordem Martinista que auxiliou a fundar e a sistematizar, e cujos ensinamentos têm por base os princípios estabelecidos por Louis-Claude de Saint-Martin (1743-1803), o Filósofo Desconhecido. Fica então a pergunta: se eu, também Rosacruz e Martinista, sobreponho a Senda Mágika do Coração a todas as outras formas de Magia, por que estou divulgando este documento? Os fragmentos que se seguirão responderão por si mesmos – particularmente o primeiro. Mas, antes de concluir, deixarei um pensamento para reflexão, que não é meu, mas de Spinoza, e com o qual, obviamente, concordo: Todas as coisas excelentes são tão difíceis quanto raras. E um místico, em princípio, obriga-se a examinar todas as coisas. Como preconceito não consta do seu dicionário, um místico autêntico não desqualifica nada a priori.

Finalmente, informo que para a elaboração deste pequeno e despretensioso trabalho fiz algumas edições em alguns fragmentos sem, contudo, modificar as explicações e os ensinamentos transmitidos por Papus. E, também, concentrei o estudo na parte final da obra referenciada, ou seja, a magia prática. E, obviamente, este estudo está incompleto.

 

EXCERTOS

 

 A Magia é a ciência do amor.

 O magista deve permanecer independente no meio de todos os cultos, igualmente respeitáveis.

 O magista é o guardião de uma síntese elevada da qual os cultos não são mais do que pálidas emanações.

 O que distingue a Magia da ciência oculta em geral, é que a primeira é uma ciência prática, ao passo que a segunda é principalmente teórica.

  A ação social de um magista resume-se a três palavras: CURAR, SEMEAR E CONSOLAR.

 

 

 A força sobre a qual age a vontade é a vida.

 A exageração do centro instintivo produz a preguiça, a gula e a força de inércia. A exageração do centro anímico produz a cólera arrebatada, a luxúria e a mentira. A exageração do centro intelectual produz a cólera tranqüila e a inveja. A exageração da vontade produz o despotismo, a ambição e o orgulho.

 A mais importante das regras a observar por todos é o quarto ensinamento da esfinge: CALAR. [Os outros três ensinamentos são OUSAR, QUERER E SABER.].

 O maior perigo que o experimentador tem a temer em uma sessão mágica é a falta de serenidade. [E de sinceridade.].

 TERRA, ÁGUA, AR e FOGO designam princípios e não substâncias.

 O sangue do homem é o sangue. O sangue da vida terrestre é o ar atmosférico. O sangue da vida planetária é o fluido solar. Todos esses elementos são transformações uns dos [ou nos] outros e, em última instância, a origem da vida universal quanto à sua base material é o fluido solar.

 O grande inimigo da Magia é o homem impulsivo.

 Os astros se movem sob a influência de forças que atuam do interior para o exterior; e a ação do núcleo de cada astro não é, em coisa alguma, diferente da ação do núcleo de uma célula orgânica qualquer.

 

 

 1ª definição de Magia: Ação consciente da vontade sobre a vida.

  2ª definição de Magia: Aplicação da vontade humana, dinamizada, à evolução rápida das forças vivas da Natureza.

 

 

 Em qualquer experiência ou cerimônia mágica duas condições principais devem ser observadas:

1ª - É necessário poder influir conscientemente sobre as forças astrais e dirigi-las com acerto até o objetivo almejado.

2ª - É necessário que o operador (magista) se isole o mais completamente possível para que possa evitar as reações perigosas, assim como deve se prevenir para desviar as ditas reações se porventura chegarem a se originar.

 Decorrido o período de adestramento, o magista deverá estabelecer seu campo de isolamento traçando o cículo.

 O bastão ou a baqueta mágica é um instrumento construído de madeira e de ferro magnético (formado de anéis e de partes metálicas não apresentando ponta alguma) cuja finalidade é condensar o fluido emanado do operador ou das substâncias dispostas por ele em torno de si. Serve para operar sobre o astral.

 A espada mágica tem por finalidade servir de defesa ao operador, e a ponta em que é terminada empresta-lhe toda a sua qualidade.

 A ponta metálica de uma espada mágica tira das entidades psíquicas seu instrumento material de realização.

 Uma cerimônia mágica pode ser resumida por três regras:

1ª - Constituição de uma linha de defesa pessoal (treino pessoal, círculo e nomes místicos).

2ª - Imantação das forças astrais (minerais, vegetais, animais etc.).

3ª - Ação consciente sobre as forças astrais evocadas (baqueta e espada).

 Contra a dor de cabeça: escrever sobre uma folha de oliveira a palavra ATHENA e aplicar esta folha sobre a cabeça.

 Contra armas de fogo: Engolir um pequeno pedaço de papel no qual se tenha escrito: ARMISI FARISI RESTINGO. Dizer estas palavras quando em perigo.

 Para que que se produzam grãos em abundância em uma terra não cultivada: Deixar as sementes a serem plantadas de molho durante seis horas na água estagnada de um monturo. Após esse tempo deixar as sementes secarem aos Sol. Ao final de três dias recolocá-las novamente de molho por três horas. Ao final destas operações as sementes estarão prontas para serem semeadas.

 Para agarrar uma serpente: Pronunciar OSI - OSOA - OSIA.

 Para prender um assassino: Tomar o sangue da vítima quando ainda quente, atirá-lo ao fogo deixando que ele se consuma. O assassino não poderá escapar; mesmo que ele se encontre a quatro léguas será forçado a voltar ao lugar onde cometeu o crime.

 Para deter rapidamente uma ou várias pessoas: Dizer: VEIDE - RONGAN - RADA - BAGABIN. Ponde o joelho e o punho direito em terra, virando o corpo para trás. Levantar sem o que esquerdo toque em coisa alguma.

 Para ser feliz em uma viagem: Trazei convosco Artemísia e Verbena. A água da Artemísia cozida pode ser usada para lavar os pés, pois evita o cansaço. As fumigações de Artemísia cozida, tomadas em banho de assento, fazem as parturientes expulsar fetos mortos. A mesma planta cozida em vinho que se bebe em doses curtas, porém freqüentes, preserva a mulher do perigo do aborto.

 Contra feridas envenenadas: Deitai sumo de marmelo na ferida e ele tirará o veneno.

 Para curar as chagas profundas e mortais: Tomai Vinea Purvinea com suas raízes; mergulhai tudo em vinho e dai de beber ao ferido durante alguns dias. Se porventura se encontrar resquício de madeira, de ferro ou de outra coisa sobre a ferida, tudo desaparecerá e o doente ficará bom sem necessidade de outro remédio.

 Para as parturientes: Para facilitar a expulsão da secundina [placenta, cordão umbilical e membranas normalmente expulsas do útero após o parto] ou de um feto morto, fazei com que a doente coma dois pedaços de raiz de lírio branco ou beba a água na qual tenham sido cozidos dois ovos. O remédio é infalível.

 Para estancar o sangue: Ter sobre a mão a erva chamada Bolsa-de-pastor (Capsella bursa-pastoris). Pelas mulheres, ela deverá ser trazida ao colo sobre a pele. A verdadeira turqueza oriental produz o mesmo efeito. [A Capsella bursa-pastoris, como planta medicinal, já era utilizada pela medicina tradicional chinesa no tratamento de doenças oftalmológicas e da disenteria. É considerada, igualmente, uma planta diurética e febrífuga (baixa a febre). Tem também propriedade oxitócicas, ou seja, age no organismo da mulher como a hormona oxitocina, induzindo a contracção do útero, além de estimular a produção de leite pelas glândulas mamárias.].

 Enfermidade: Para saber se uma pessoa [provavelmente] morrerá ou se [provavelmente] ficará curada da doença de que padece, ao visitá-la, tenha na mão Verbena [designação comum às ervas do gênero Verbena, da família das verbenáceas]. Ao se aproximar do doente pergunte como ele se sente. Se responder que está melhor, é sinal de cura; se disser o contrário, é sinal de morte.

 Ervas mágicas: Só devem ser colhidas entre os dias 23 e 29 da Lua. Quando forem colhidas deve ser dito o uso a que se destinam. Em seguida, devem ser colocadas sob trigo ou cevada até o momento de serem usadas.

 Contra a maledicência: Usar o Heliotrópio [designação comum às plantas do gênero Heliotropium], que deverá ser colhido no mês de agosto. Envolvido em uma folha de louro com um dente de lobo livra da maledicência a quem o troxer consigo.

 Para fazer cessar as cólicas: Tomar goma arábica dissolvida em leite.

 Contra a mortalidade dos animais: Tomai algumas esponjas ou excrescências amareladas que crescem em volta das tílias [Designação comum às árvores do gênero Tilia, da família das tiliáceas. Planta nativa de regiões temperadas do hemisfério norte ao México e ao Sudeste da Ásia, geralmente cultivadas por suas madeiras claras, usadas em teclas de piano e em trabalhos de marchetaria, pelas fibras usadas em cordoaria, pelo óleo comestível extraído das sementes e usado em xaropes contra a tosse, e como ornamentais.], metei-as na água onde levais o gado a beber. Se os animais estiverem atacados de qualquer doença contagiosa, reduzi a pó um pouco daquela substância e atirai-a no bebedouro.

 Para conhecer os animais que morrerão ou ficarão vivos: Todos os animais que nascem quando a Lua não ilumina, isto é, três ou quatro dias antes ou depois do seu período de renovação, morrem no ano em que nasceram.

 Para que as abelhas não piquem: Tomai umas três folhas da planta chamada Plantago Amita e conservai-as na boca quando vos aproximardes do lugar onde estejam as abelhas.

 Água Lustral: Beber em jejum um copo de água na qual se haja mergulhado um ferro em brasa. Sobre a água – de modo que o hálito penetre no líquido – dizer cinco vezes: Por Adonai, que a paixão se apague em ti como o calor deste ferro se apaga nesta água.

 Para repelir inflências ocultas: O ferro repele as influências ocultas. Quando se temer um malefício, tenha-se um ferro na mão. Lavar a cabeça com água sobre a qual se tenha dito três vezes: Ó Adonay! Livra e cura o teu servo! E mais três vezes para concluir, deixando que a água seque naturalmente sobre a cabeça.

 A oração e a caridade dão àqueles que as empregam e praticam uma couraça de diamante.

 Toda emanação astral pode ser absorvida pelo carvão, e é recomendável que se faça a conjuração do carvão antes de utilizá-lo nos casos mais importantes.

 Para destruir ações maléficas pode-se rodear a pessoa maleficiada, quando ela estiver dormindo, de espadas e facas afiadas. Uma residência poderá ser protegida de forma semelhante.

 Aos inimigos o melhor que se poderá fazer é orar por eles para que sejam iluminados e reconduzidos ao caminho verdadeiro.

 O Salmo 31 é de uma efetividade extraordinária contra todas as ações astrais. [Minha interpretação resumida do Salmo 31: Bem-aventurado aquele que já não possui mais qualquer iniqüidade no coração. Bem-aventurado aquele que já não pode ser argüido de falta e em cujo coração já não há mais dolo. Bem-aventurado aquele que já não mais precisa dissimular seus erros. Bem-aventurado aquele que já não mais julga e condena seu irmão.].

 Durante a luta contra uma ação astral é necessário evitar falar mal dos ausentes, e procurar, tanto quanto possível, afastar de si os pensamentos maledicentes.

 A prática da caridade é indispensável para evitar qualquer ataque astral. Isto não quer dizer que se deva ter a caridade por intermediária dando dinheiro a quem quer que seja – para seus supostos pobres – mas a caridade direta, aquela que se dá ao trabalho de descobrir os desgraçados e aliviá-los do seu infortúnio. O auxílio moral e a ajuda intelectual valem tanto – e muitas vezes mais – do que o socorro material.

 A recitação do Evangelho de São João é um ritual notável em toda a ação de defesa astral.

 Todas as forças astrais se prosternam diante do Nome do Cristo – mesmo quando este Nome é pronunciado por um pecador ou por um espírito mau. Pronunciado esotericamente e seguido de uma ato de caridade pessoal, o Nome do Cristo dissipa as más forças astrais como o Sol dissipa as nuvens ligeiras.

 Nada poderá resistir à ação de uma prece sincera. A prece tem por fim a fusão momentânea do Eu e do inconsciente superior, o Não-Eu, pela ação do sentimento idealizado sobre a vontade magicamente desenvolvida. A prece é, pois, uma cerimônia mágica de primeira ordem, e é por ela que o estudante deve começar toda prática.

 

 

 Mesmo quando um mago negro consegue fazer algum tipo de mal, não chegará a usufruir da sua obra de ódio, pois ele é sempre a sua primeira vítima.

 

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UMA EXPERIÊNCIA PESSOAL

 

Tudo o que foi reproduzido acima pode ser reduzido a um simples procedimento místico. Quando um místico achar que for (se for) conveniente, por três ou sete dias (e para sempre) poderá construir mentalmente sua espada mística — uma ROSA BRANCA. Construída esta ROSA BRANCA, ela será sua espada mística a ser empunhada psiquicamente pela sua mão direita. Com ela – psíquica, mística e responsavelmente – o mal será afastado para que o bem possa ser praticado. Mas é necessário saber exatamente (se isso for possível) o que é o mal e o que é o bem! Esta ROSA BRANCA pode, com amor e verdadeiro sentimento de fraternidade, ser psiquicamente encostada na fronte, no coração e no plexo solar dos que precisam de auxílio. Mas ai daquele que utilizar esta construção para praticar qualquer tipo de mal ou para tentar usufruir de vantagens pessoais (qualquer que seja a natureza dessas vantagens). Como disse Papus, mesmo quando um mago negro consegue fazer algum tipo de mal, não chegará a usufruir da sua obra de ódio, pois ele é sempre a sua primeira vítima. (Aguarde a animação abaixo concluir; ela se passa em dois momentos.).





BIBLIOGRAFIA

PAPUS. Tratado elementar de magia prática (adaptação, realização, teoria da magia). São Paulo: Editora Pensamento, 1978.

 

Websites Consultados

http://www.hermanubis.com.br/GaleriaVirtual.htm

http://www.ordinemartinista.it/newpage89.htm

http://paginas.terra.com.br/arte/sfv/AlbumdePapus.html

http://www.la-rose-bleue.org/Biographies/Papus.html

http://www.france-spiritualites.com/PPapusPortrait.htm

http://www.imagick.org.br/ativimag/cursos/maos.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Bolsa-de-pastor