O GOVERNO DOS MORTOS

 

Observação Preliminar

 

O título deste rascunho pode dar a impressão que o assunto tratado seja um, mas é outro completamente diferente. No final, reproduzo um problema muito interessante de matemática que caiu em uma prova do ITA do ano passado.

 

 

Rodolfo Domenico Pizzinga

Música de fundo: Ragtime

Fonte: http://netdancer.com/midis/?D=A

 

Um famoso axioma do Positivismo de Augusto Comte diz que os vivos são cada vez mais governados pelos mortos. Já o jornalista e Barão (da famosa Batalha?!) de Itararé achava que os vivos são sempre e cada vez mais governados pelos mais vivos. MARACUTSIL que o diga! Entretanto, os dois filósofos (ou o Barão não era um filósofo?), de certa maneira e cada um a sua maneira, estavam certos. Mas, o fato é que a Humanidade, de uma forma ou de outra, sofre influências do passado, seja na ciência, seja na política, seja na literatura, seja em qualquer outro campo da atividade humana. O que não podemos (podemos, até que podemos, mas não devemos) é nos render como prisioneiros sem opção a essas influências e nem delas ficar dependentes. Mesmo o que acharmos que está correto deverá ser aprimorado. E o que estiver incorreto deverá ser corrigido. Imaginem se ainda prevalecesse a estúpida e malsã figura jurídica do filho adulterino, ou seja, aquele que, segundo essa estúpida e malsã figura jurídica, é fruto de uma relação carnal considerada ilícita — pelos defensores boçais dessa estúpida e malsã figura jurídica — em virtude de ter sido gerado fora do casamento? Fora do casamento? Porventura é preciso alguém estar casado para amar? Porventura é preciso alguém estar casado para ter um filho? Não há filho adulterino nem bastardo; filho é filho. O meu primeiro filho (que nunca foi adulterino nem bastardo, e que eu soube psiquicamente que era um menino antes de ele nascer e qual o nome que ele deveria receber) assistiu, no meu colo, com três ou quatro meses, ao meu casamento civil. Com a mãe dele, claro! Mas ainda bem que isso acabou, pelo menos no Brasil. Filho bastardo? Filho adulterino? Filho de coito danado? Filho ilegítimo? Filho natural? Filho sacrílego? Filho incestuoso? Filho de puta? Filho é filho. E puta não é puta; é nossa irmã — e eu adoro comoventemente todas elas. Uma coisa que realmente me tira inteiramente do sério é o tal do preconceito. Portanto, se alguma puta há, ela é exatamente a nossa cabeça de merda, quando cheia de merda está. Todos os preconceituosos são, antes e acima de tudo, doentes 'cucais'. Terapia neles! Ponto final. P.S.: Esse tal de adultério ainda será compreendido de outra forma. Agora, vamos brincar e nos divertir que faz bem para a saúde.

Então, como tenho divulgado neste Website alguns temas controversos e de certa forma difíceis e muito sérios, este rascunho será como que um recreio em meio a tantas reflexões importantes. Importantes, salvo melhor juízo, porque – e eu respeito – para muitos, o que eu faço é uma tremenda perda de tempo! Mas como este rascunho é um recreio, não poderá ser longo, apesar de o arquivo ter ficado meio pesadinho por causa das animações. Por isso, escolhi 6 + 1 + 1 (e mais uma) sentenças (algumas de vivos de cá, outras de vivos de lá que já podem estar novamente vivos cá) para acompanhar 6 animações da Monalisa (que recebi em um e-mail de uma amiga viva de cá) + 5 que eu fiz. (A simpática caveira giratória de alguém que esteve cá, e que abre o texto, também fui eu que preparei. Então, para a matemática não ficar errada, eu exageradamente, como de hábito, produzi mesmo 6 animações para este rascunho. Professor que gosta do filho dos outros é assim.). Dentre os vivos de cá, colaborei com a sétima sentença, que não é propriamente uma sentença. Eu me diverti muito fazendo este simpático trabalho; espero que seja divertido para você também. Há, inclusive, uns fatos históricos engraçadíssimos. Mas, não esqueça: Filho é filho! Não há precondições. E as sentenças escolhidas... Bem, não há mesmo nada de engraçado nelas. São seríssimas.

 

1ª Sentença

 

 

Depois do governo ge-gê o Brasil terá um governo ga-gá. (Barão Apparício Torelly da Batalha de Itararé — barão da melhor qualidade (uma espécie de Dom Quixote nacional, malandro, generoso, e gozador, como disse Jorge Amado) da maior batalha de proporções épicas que nunca aconteceu na revolução dos paulistas, em 1932). Ge-gê: apelido do Presidente – que se dizia positivista – Getulio Dornelles Vargas. (Certa vez, Getúlio, recém-eleito ao senado, encontrou o Barão Apparício de Itararé em uma entrevista coletiva, e, sentido, plagiou: — Até tu, Barão? Apparício não se deu por achado e respondeu na bucha: — Tubarão é o senhor, senador; eu sou o Barão de Itararé. Em 1950, quando Getúlio se entusiasmou para retornar à presidência, agora pelo voto direto e, portanto, antipositivista, o jornalista Carlos Lacerda, frasista no melhor sentido do vocábulo, fulminou na Tribuna da Imprensa: — O senhor Getúlio Vargas, senador, não deve ser candidato à Presidência. Candidato, não deve ser eleito. Eleito, não deve tomar posse. Empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lo de governar.). Ga-gá: Presidente Eurico Gaspar Dutra, que era filho de José Florêncio Dutra e de Maria Justina Dutra, e que eu não sei se era positivista. Acho que não era. Positivismo não casa com Catolicismo, principalmente o franciscano. Mas sei que foi a Dona Santinha (Carmela Telles Leite, que era santinha porque era extremamente religiosa, e que depois do casamento com Eurico Gaspar Dutra ficou mais religiosa e mais santinha ainda e passou a se assinar Carmela Telles Leite Dutra, e que o Presidente Eurico quando estava de bom humor chamava de 'minha santa', e quando estava de mau humor chamava de Carmella com dois ll) quem induziu o marido e Presidente Dutra devotíssimo de Santo Antônio – que em Portugal é chamado de António porque nasceu em Lisboa e era franciscano depois de ter sido agostiniano, mas que foi batizado com o nome de Fernando, sendo mais conhecido como Santo Antônio (ou António) de Pádua – e que se tivesse sido presidente do Brasil o Barão provavelmente o apelidadria de to-tó) a decretar o fechamento dos cassinos no Brasil; e também sei que se o Barão estivesse vivo cá diria que hoje cá temos um governo lu-lu-lá. Com todo respeito. (Observação: a frase anterior a Com todo respeito ficou enorme, mas eu não perdi o fio da meada. Também, pudera! Eu a li 20 vezes.). A Monalisa lá e cá ficou horrorizada com toda essa estória cá, que é parte da história da República brasileira. Cá e lá (em Brasília) que anda uma caca! O voto que eu prazerosamente emprestei para um certo senhor será emprestado a outrem nas próximas eleições. Voto não se dá; empresta-se. Traiu a confiança, perde o direito ao empréstimo.

 

 

 

 

2ª Sentença

 

Democracia é quando eu mando em você; ditadura é quando você manda em mim. (Millor Fernandes). Rodopikratía é, resumidamente, o ainda utópico governo da tolerância, da justiça e da solidariedade. Kratía, neste caso, não deriva de kratéo – forte, poderoso – e, portanto, kratía não envolve nem força nem poder no sentido medíocre e 'locupletativo' desses vocábulos, quando usados para a prática de medonhas absurdezas. (Eu acho que quem inventou a palavra absurdeza – que está dicionarizada – misturou absurdidade com malvadeza.)

ABSURDidade + MalvadEZA —› ABSURDEZA

 

 

3ª Sentença

 

Diferenças históricas (desconheço o autor)


Na Rússia tudo é proibido, inclusive o que é permitido.
Na Alemanha tudo é proibido, exceto o que é permitido.
Nos Estados Unidos tudo é permitido, exceto o que é proibido.
No Brasil tudo é permitido, inclusive o que é proibido.
(Por exemplo: esconder hipermensalão no cuecão e dizer que veio de doação! Outro exemplo: valerioduto, que pode ser definido como obra de engenharia maquiavélico-política brasileira para fins inconfessáveis. Terceiro exemplo: propinoduto, que é sinônimo de valerioduto, mas os atores são outros e os valores são menores, e podem, às vezes, envolver donos de restaurantes. Arre, que chatice!).

 

 

4ª Sentença

 

Se A é o sucesso, então A é igual a X, mais Y, mais Z. O trabalho é X; Y é o lazer; e Z é manter a boca fechada. (Albert Einstein). A pedra e a palavra não podem ser recolhidas depois de lançadas. — Desculpe, eu não devia ter dito isso! — não adianta (quase) nada, ainda que pedir perdão ou desculpas seja um ato de humildade. Disse, está dito. Verbalizou, está verbalizado. O Efeito Borboleta (ou a Dependência Sensível das Condições Iniciais) foi posto em ação.

 


 

 

5ª Sentença

 

Não há fatos eternos, como também não há verdades absolutas. (Nietszche). Só os tolos e os crédulos acreditam em verdades absolutas e precisam delas para viver.

 

 

 

 

6ª Sentença

 

 

Pensamos demasiadamente; sentimos muito pouco. Necessitamos mais de humildade do que de máquinas. Mais de bondade e ternura do que de inteligência. Sem isso, a vida se tornará violenta e tudo se perderá. (Charles Chaplin). Quando eu me encontrar com Charlot do lado de lá, direi a ele que preferiria que ele, quando estava do lado de cá, tivesse construído a frase com arquitetamos ao invés de pensamos.

 

 

7ª Sentença

 

 

 

Não há nada melhor para a saúde do que sorrir e brincar. Água também é ótimo. Então, com paciência + alegria + sorriso + água tudo poderá ser curado. (RDP). Note que a fórmula da água é simplificadamente escrita como H2O, mas o correto é (H2O)n, n dependo do estado em que se encontre a água.

 

 

 

 

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8ª Sentença (de quebra)

 

O verdadeiro grande homem é aquele que faz com que todos se sintam grandes. (Charles Dickens). Os pequenos homens pequenos porque são mesmo pequenos, pequenos porque gostam mesmo de ser pequenos e pequenos porque vão mesmo continuar pequenos enquanto não quiserem deixar de ser pequenos fazem questão e gostam muito de apequenar outros homens. Aqueles que eles dominam, apequenam mesmo, porque há, também, uma certa vocação inconsciente em certos indivíduos para serem pequenos e servis! A animação abaixo mostra isso muito bem.

 

 

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Um Probleminha

 

A questão abaixo caiu em uma prova do ITA do ano passado.

Uma mãe é 21 anos mais velha que o filho. Daqui há seis anos a mãe terá uma idade 5 vezes maior que o filho.

Pergunta: Onde está o pai agora?

Tente resolver. Se não conseguir, a solução está logo abaixo.

Solução:

A mãe tem hoje y anos.
O menino tem hoje x anos.
Portanto, com a mãe 21 anos mais velha: y  =  x + 21.
Daqui a 6 anos: (y + 6 ) e (x + 6 ).
Logo, com a mãe 5 vezes mais velha que filho: y + 6  =  5 (x + 6).

Resolvendo:

y + 6  =  5 x + 30.

y  =  5x + 24.

Substituindo o valor de y da equação y  =  5x + 24 na primeira equação y  =  x + 21 oriunda da formulação do problema, teremos:

5x + 24  =  x + 21.

Logo:

5x x  =  24 + 21.

4x  =  3.

x  =  3/4 (de um ano).

O menino tem hoje 3/4 anos, isto é, 12.(3/4), ou seja, 36/4 de um ano, que corresponde a 9 meses (menos nove meses!!!). Concluindo: ainda não foi gerado!!!.

A resposta para o problema torna-se, então, lógica:

Se o menino tem exatos menos 9 meses, ele ainda está sendo projetado e nascerá daqui a nove meses. Então: O pai, agora, deve estar se esforçando muito e, com todo carinho, namorando a mãe, enquanto nós estamos aqui quebrando a cabeça para resolver este mistério!!!

 

Websites Consultados

http://www.rhaiza.com.br/frases01.htm

http://parenting.leehansen.com/holidays/halloween/index.shtml

http://www.illustratorsonline.com/porter/porter.html

http://www.publicum.ch/EventsDet.asp?ID=48

http://www.myheart.it/Ritratti/pagina/Charlot.htm

http://escolaintegradabemviver.com.br/

http://www.releituras.com/itarare_advogado.asp

http://www.culturabrasil.org/itarare.htm

http://regentsprep.org/Regents/math/absvalue/Labsolute.htm