PENSAMENTOS

de

MAX HEINDEL

 

PARTE II

 

 

Rodolfo Domenico Pizzinga

 

Este trabalho é uma continuação da Parte I, que pode ser estudada em qualquer um dos dois links diretos abaixo:

http://svmmvmbonvm.org/Pensamentos_de_Max_Heindel.pdf

http://paxprofundis.org/livros/max/heindel.htm

 

 

 

 

 

   A mente materialista corre o terrível perigo de perder todo o contato com o Espírito, convertendo o indivíduo num proscrito.

   A gratidão produz crescimento anímico.

   É um bem dar dinheiro para um propósito que consideremos benéfico, porém um serviço prestado vale mil vezes mais. Um olhar carinhoso, expressões de confiança, uma simpática e amorosa ajuda, essas são coisas que todos podem dar, seja qual for a fortuna de cada um. Todavia, devemos ajudar o necessitado de maneira que ele possa se ajudar a si próprio, seja física, financeira, moral ou mentalmente, para que não dependa mais de nós nem dos outros.

   Quando uma criança morre antes do nascimento do corpo de desejos, isto é, antes dos catorze anos, não é responsável pelos seus atos, do mesmo modo que o feto que se contorce no útero não é responsável pelo incômodo que causa à sua mãe.

   Quando nasce um espírito débil, é comum os Compassivos Seres (os Guias Invisíveis que dirigem nossa evolução) fazerem-no morrer em tenra idade, para que esse espírito débil possa ter um treinamento extra, ajudando-o a se adaptar ao que talvez pudesse ser para ele uma vida dura.

   A música celeste é um fato e não mera figura de retórica. Pitágoras não fantasiava quando falou da música das esferas, porque cada um dos corpos celestiais tem seu tom definido e, juntos, formam a sinfonia celestial que Goethe também a menciona no prólogo do seu Fausto, onde na cena do céu o Arcanjo Rafael diz: Sol entoa sua velha canção/Entre os cânticos rivais das esferas irmãs,/Seu caminho predestinado vai trilhar/Através dos anos, em retumbante marchar.

   Matéria é espírito cristalizado. Força é o mesmo espírito ainda não cristalizado. O que agora é força será matéria quando se cristalizar futuramente. O processo inverso de transmutação de matéria em espírito processa-se também continuamente. A fase mais elementar deste processo nós vemos na decomposição, quando o homem abandona seus veículos: o espírito de um átomo separa-se facilmente do espírito mais inferior que se manifestava como matéria.

   Há um intervalo de inconsciência semelhante ao sono antes de o homem despertar no Mundo do Desejo. Por conseguinte, não é raro acontecer a certas pessoas permanecerem durante longo tempo incertas do que se passou com elas. Notam que podem pensar e se mover, mas não compreendem que morreram. As vezes é até muito difícil conseguir fazê-las crer que estão realmente "mortas". Compreendem, sim, que algo diferente está acontecendo, mas não são capazes de entender o que seja.

   Assim como um arco de violino que se passa pela borda de um lâmina de vidro com pó fino gera figuras geométricas, assim também as formas que vemos em torno de nós são figuras cristalizadas de sons produzidos pelas forças arquetípicas que atuam nos arquétipos no Mundo Celeste.

   Se não houvesse como causa o materialismo, não se produziriam as convulsões sísmicas. [É necessário não se confundir materialismo com Ateísmo Místico.].

   O destino do homem é converter-se em Inteligência Criadora.

   É uma Lei da Natureza: ninguém pode habitar um corpo mais eficiente do que aquele que é capaz de construir. Aprende-se primeiramente a construir uma certa classe de corpo e depois a viver nele. Desta maneira percebem-se os defeitos e aprende-se a corrigi-los.

   Quanto mais o homem avança e quanto mais trabalha em seus veículos, tornando-os assim imortais, mais poder tem de construí-los para uma nova vida. O discípulo avançado de uma escola oculta, às vezes, começa a construir por si mesmo tão logo se complete o trabalho das três primeiras semanas de vida pré-natal (que pertence exclusivamente à mãe).

   No panorama ante-natal o objetivo é mostrar ao Ego que regressa como certas causas ou atos, produzem sempre certos efeitos. No caso do panorama post-mortem o objetivo é oposto, isto é, mostrar como cada acontecimento da vida que findou foi efeito de alguma causa anterior da vida. De qualquer sorte, a cadeia de causas e efeitos não é uma repetição monótona. Há sempre um influxo contínuo de causas novas e originais.

 

 

   O propósito da vida não é a felicidade, mas sim a experiência. A tristeza e a dor são nossos mais benévolos mestres. As alegrias da vida não são mais do que coisas fugazes.

   Se ultrajarmos a moralidade, o remorso provocará dor em nossa consciência, a qual nos previne para não repetirmos o ato. E se não aprendermos a lição da primeira vez, a Natureza proporcionar-nos-á experiências cada vez mais duras, até gravarmos em nossa consciência que "o caminho do transgressor é muito duro". Isto continuará até que sejamos forçados a tomar uma nova direção e a dar um passo a mais para uma vida melhor.

   Enquanto não aprendermos tudo o que nos cumpre aprender neste mundo, deveremos voltar. Não podemos permanecer e aprender nos Mundos Superiores enquanto não tenhamos dominado as lições da vida terrena.

   A Grande Lei que trabalha para o Bem traz o homem de volta ao mundo com os tesouros que adquiriu, para benefício dele mesmo e dos demais, ao invés de permitir que tais tesouros se desperdicem onde ninguém deles necessita.

 

 

   Até certo ponto, podemos modificar, e até frustrar, certas causas já postas em movimento, mas, uma vez começadas, se outras medidas não forem tomadas, ficarão fora do nosso controle. Chama-se a isso destino "maduro". Assim, estamos sujeitos ao passado em grande extensão, mas, quanto ao futuro, temos plena iniciativa dos nossos atos, salvo naquilo em que estejamos limitados por nossas ações anteriores.

   De todo o poder que mantém o mundo agrilhoado/O homem se libertará quando o autocontrole houver conquistado. (Goethe, apud Max Heindel).

   A hereditariedade diz respeito unicamente ao Corpo Denso, não às qualidades anímicas, que são completamente individuais. Mas, nenhum corpo é uma mescla exata das características físicas dos pais, porque o Ego renascente também executa certa soma de trabalho em seu Corpo Denso ao incorporar-lhe a quintessência das qualidades físicas do passado. Assim, nenhum corpo é uma mescla exata das características físicas dos pais, ainda que o Ego se veja restringido a usar os materiais tomados dos corpos deles.

   Impregnado o óvulo, o Corpo de Desejos da mãe trabalha sobre ele durante um período de dezoito a vinte e um dias. Até aqui o Ego permanece fora, em seus Corpos de Desejos e Mental, embora em íntimo contato com a mãe. Terminado esse tempo, o Ego entra no corpo materno. Os veículos em forma de campânula juntam-se, então, sobre a cabeça do Corpo Vital, e o "sino" se fecha pela parte inferior. Daí em diante o Ego "incuba" seu futuro instrumento até o nascimento da criança. Começa, assim, a nova vida terrena.

   Durante os primeiros anos de vida de uma criança, ela pode "ver" os mundos superiores, e freqüentemente tagarela sobre aquilo que vê, até que o ridículo ou os castigos impostos, pelos mais velhos, – "por contar histórias" – fazem-na desistir de falar. [E, com o tempo, acabam esquecendo desses contatos.]. Continua Heindel: Investigações da Sociedade de Pesquisas Psíquicas provaram que as crianças dispõem, muitas vezes, de invisíveis companheiros de brinquedos, os quais visitam-nas freqüentemente durante alguns anos. Nesse período, a clarividência delas tem o mesmo caráter negativo da dos médiuns.

 

NASCIMENTOS SUCESSIVOS
(Ciclos Setenários)
Uma vez a cada sete anos
todos os átomos do corpo são substituídos.

 

   Um ocultista não crê nas coisas; conhecem porque vêem. O cientista ocultista pode, então, dizer: eu sei.

   Se nada pode ser destruído, também a mente não o poderá.

   Se Deus permite que tais misérias existam [as misérias e as torturas das almas] Ele não pode ser bom, e se Ele não tem o poder de impedi-las, não pode ser Deus. (Buddah, apud Max Heindel). Conclusão de Heindel: Nada há em a Natureza que se pareça a tal método: criar para em seguida destruir o que foi criado. Acrescenta Heindel: Se um transatlântico, com duas mil almas a bordo, enviasse uma mensagem telegráfica de que estava afundando, poder-se-ia considerar um "glorioso plano de salvação" enviar em seu socorro apenas um rápido barco a motor, capaz de salvar só duas ou três pessoas? Certamente que não! Pelo contrário, seria considerado um "plano de destruição" não providenciar meios adequados para salvar, pelo menos, a maioria dos passageiros em perigo.

  A Doutrina do Renascimento postula um processo de lento desenvolvimento efetuado persistentemente através de repetidos renascimentos e em formas de crescente eficiência. [A meu juízo, de eficiência e de eficácia combinadas, ou seja: efetividade. Eficiência sem eficácia, ou vice-versa, resultaria em um processo incompleto.]. Por intermédio destas formas – continua Heindel – tempo virá em que todos alcançarão o cume do esplendor espiritual, presentemente a nós inconcebível. Em uma palavra: Evolução (a história do progresso espiralar do Espírito no tempo). [Eu prefiro, sem prejuízo do conceito anterior, reintegração.]. E acrescenta Heindel: É, pois, necessário à vida evoluinte tomar o caminho de três dimensões a espiral que segue continuamente para a frente e para o alto. Por toda a parte encontra-se a espiral: para a frente, para o alto, para sempre! A Teoria ou Doutrina do Renascimento, que ensina a necessidade de repetidas incorporações em veículos de crescente perfeição, está em perfeito acordo com a evolução e com os fenômenos da Natureza.

   O que somos, o que temos e todas as boas [e más] qualidades são o resultado [educativo e compensatório] das nossas próprias ações passadas. Estamos criando presentemente as condições de nossas futuras vidas. Ao invés de nos lamentarmos pela falta desta ou daquela cobiçada faculdade, devemos nos esforçar para adquiri-la.

  A genialidade – extraordinária capacidade intelectual, notadamente a que se manifesta em atividades criativas – é uma qualidade anímica, não uma herança física.

   As Leis gêmeas – de Renascimento e de Conseqüência – resolvem de forma razoável todos os problemas incidentais à vida humana conforme o homem avança firmemente para o seu próximo estágio evolutivo – o de Super-Homem.

   Cada Ego nasce duas vezes durante o tempo em que o Sol, por precessão, passa através de um signo do Zodíaco, e como a alma é necessariamente bissexual renasce, alternadamente, em corpos masculinos e femininos, a fim de adquirir toda espécie de experiências, posto que a experiência de um sexo difere amplamente da do outro.

  A evolução na Terra é dividida em períodos chamados "Épocas". Até agora passaram-se quatro Épocas, que são denominadas respectivamente: Polar, Hiperbórea, Lemúrica e Atlante. Na primeira, ou Época Polar, o que hoje é Humanidade possuía apenas Corpo Denso, tal como atualmente os minerais. Daí ter sido semelhante ao mineral. Na segunda, ou Época Hiperbórea, um Corpo Vital foi-lhe acrescentado, de modo que o homem em formação passou a um estado semelhante ao das plantas. Não era uma planta, mas análogo a ela. Na terceira, ou Época Lemúrica, o homem obteve seu Corpo de Desejos, ficando constituído analogamente ao animal — um homem-animal. Na quarta, ou Época Atlante, recebeu a Mente, e agora no que concerne aos seus princípios, sobe ao palco da vida física como HOMEM. (Noé simboliza os remanescentes da Época Atlante – núcleo da Quinta Raça e, portanto, nossos progenitores.). Na presente, a quinta Época ou Época Ária, o homem desenvolverá, até certo ponto, o terceiro ou mais inferior aspecto de seu Tríplice Espírito — o Ego.

  Atribuir a Deus uma conduta que, num ser humano, qualificaríamos com palavras muito duras, é totalmente irrazoável [e absurda].

   A Natureza ocultou-nos bondosamente o passado e o futuro para não nos roubar a paz da mente, impedindo o sofrimento antecipado daquilo que nos está reservado. Quando alcançarmos maior desenvolvimento aprenderemos a aceitar com equanimidade [e resignação mística] todas as coisas, vendo em todo infortúnio o resultado de nossos erros e equívocos passados.

   Os Mundos e Planos Cósmicos não estão acima uns dos outros, no espaço; na realidade, os sete Planos Cósmicos interpenetram-se uns aos outros e todos eles interpenetram os sete mundos. O mais denso deles é o Sétimo (contando de cima para baixo. São todos estados de espírito-matéria compenetrando-se uns aos outros. E nenhum de nós pode existir fora das Grandes Inteligências que, com Sua Vida, interpenetram e sustentam o nosso Mundo.

   O Sol é o mais aproximado símbolo visível de Deus de que dispomos, ainda que não seja senão um véu para "Aquele" que está por trás. O que seja esse "Aquele", publicamente não se pode dizê-lo.

 

Atributos ou Aspectos do
Supremo Ser
Segundo Max Heindel


   Desse tríplice Ser Supremo procedem os Sete Grandes Logos. Estes contêm em si mesmos todas as grandes Hierarquias, as quais diferenciam-se cada vez mais conforme vão se difundindo através dos vários Planos Cósmicos. Há quarenta e nove Hierarquias no Segundo Plano Cósmico; no Terceiro há trezentas e quarenta e três Hierarquias. Cada uma destas é, por sua vez, capaz de divisões e subdivisões setenárias. Deste modo, no Plano Cósmico Inferior, em que se manifestam os Sistemas Solares, o número de divisões e subdivisões é quase infinito.

 

 

   Os Sistemas Solares nascem, morrem e tornam a nascer, em ciclos de atividade e repouso, tal como acontece ao homem.

   Não há nenhum processo instantâneo em a Natureza. Tudo se desenvolve com extraordinária lentidão. Contudo, embora lentíssimo, esse progresso é absolutamente seguro e alcançará a suprema perfeição. Tal como existem estágios progressivos na vida humana – infância, adolescência, virilidade e velhice – assim também existem no Macrocosmo diferentes estágios correspondentes a diversos períodos da Vida Microcósmica.

   Quanto menor o grau de inteligência de um ser evolucionante tanto maior a dependência de ajuda externa.

   A partir do momento em que o Ego individualizado manifesta consciência própria, deve ele prosseguir expandindo essa consciência sem ajuda externa. A experiência e o pensamento devem, então, tomar o lugar dos Mestres externos. E a glória, o poder e o esplendor que pode alcançar são ilimitados.

   Tão seguramente como a concha dura e empedernida do caracol é formada pelos sucos solidificados do seu brando corpo, assim também todas as formas são cristalizações em torno do pólo negativo do Espírito.

   O esquema evolutivo é efetuado através de cinco Mundos em Sete Grandes Períodos de Manifestação, durante os quais o Espírito Virginal ou Vida Evolucionante se converte primeiramente em homem depois em Deus.

   Os Sete Grandes Períodos, segundo a terminologia Rosacruz que nada têm a ver com os planetas que se movem em suas órbitas em torno do Sol juntamente com a Terra, e que, em realidade, são simplesmente encarnações passadas, presentes ou futuras da nossa Terra, "condições" através das quais passou, está passando ou passará no futuro são:

1º - Período de Saturno

2º - Período Solar (Sol)

3º - Período Lunar (Lua)

 4º - Período Terrestre (Terra) 

5º - Período de Júpiter

6º - Período de Vênus

7º - Período de Vulcano

   Os três primeiros mencionados (Períodos de Saturno, Solar e Lunar) pertencem ao passado. Estamos atualmente no quarto, ou Período Terrestre. Quando este Período do nosso Globo se completar, a Terra e nós passaremos, sucessivamente, às condições de Júpiter, de Vênus e de Vulcano, até que finde o Grande Dia Setenário de Manifestação. Então, tudo o que agora existe imergirá mais uma vez no Absoluto para um período de descanso e assimilação dos frutos da evolução, e reemergirá, para ulterior e mais elevado desenvolvimento, na aurora de outro Grande Dia.

 

 

 

PARTE III