DITADORES, DITADORES
(DES)homenagem às Dita duras

 

Rodolfo Domenico Pizzinga

Música de fundo: Apesar de Você (Chico Buarque)
Fonte: http://www.cifrantiga.hpg.ig.com.br/Crono3/midis.htm

 

 

Na Roma Antiga, o que era um ditador?

Magistratus1 investido pelo senatus do poder de ditar leis!

E modernamente, o que é um ditador?

Salafra que concentra todos os poderes do Estado. Leis?

 

 

Leis? Sim, para servir ao poder. Manda. Priva. Rebenta.

Decidiu... Ordenou... Tá decidido. Tá ordenadado.

Mandou matar quantos? — 'Fudentos' e noventa.

E agora reaça? Tá todo mundo prejudicado.2

 

 

Tô cheirando no ar

Um fedor boçal de saudade.

Apocopar? Exilar? Torturar? Matar?

 

 

 

Gumex? Já era. Dura Lex, Sed Lex.

Ditadura é desamparo e privação. Vera orfandade.

Alferes, você me autoriza a comprar uma®?

 

 

 

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Notas

1. O que poderá ser um magistratus (magistrado) investido pelo senatus (Senado) do poder de ditar leis? Qual é a autoridade de um senator (senador) para investir alguém como primus magistratus (primeiro magistrado) com o poder para impor leis? Ainda que o povo, efetivamente, nunca tenha jamais chegado ao poder, é dever de todo cidadão lutar para que o poder só seja exercido em nome do povo, para o povo, pelo povo e com o povo. Não para transportar toneladas de dinheiro por aviões; não para receber mensalões; não para locupletar anões. Não. O poder não pode ser usado para isso. Os representantes do povo não estão autorizados pelo povo a fazer essas coisas. Isso é, no mínimo, um abuso. Para tudo isso: NÃO.

Mas, enquanto isso, pergunto: haverá diferença essencial sensível entre as pulhices autoritárias e totalitárias de ontem e as de hoje? Haverá diferença essencial sensível entre as locupletações e os nepotismos de ontem e os de hoje? Haverá, por exemplo, diferença essencial sensível entre Nero e Pinochet? Um mandou queimar; o outro mandou fuzilar. Se isso é uma diferença sensível, então há diferença; se não é, então não há diferença. E entre o general Emílio e o generalíssimo Francisco? Um falava português; o outro espanhol. Se isso é uma diferença sensível, então há diferença; se não é, então, novamente, não há a mínima diferença. E entre Calígula, que nomeou seu cavalo Incitatus cônsul de Roma, e Slobodan Milosevic que determinou à cavalhada motorizada que esmagasse a população a título de promover e executar uma política intencional de limpeza étnica? Há, enfim, diferença essencial sensível entre jogar cristãos aos leões e jogar containers cheios de cadáveres no fundo do Rio Danúbio? Não há. Mas, há mais, muito mais coisas. E muito mais piores. Mas não há diferença alguma. Não há diferença entre morte por leão, morte por eletrocussão e morte por canhão. Não há diferença entre morte por napalm, morte por gravata colorada e morte por radiação. E não há diferença entre morte por carta-bomba, morte por encomenda e morte por veneno. Não há matança pior ou matança melhor. Morte é morte. Matança é matança. Assassinato é assassinato. Ditadura é ditadura. E matar um ou mil é matar. Como também roubar um ou mil é roubar. Matar é matar; roubar é roubar. Há, por causa dos acontecimentos políticos recentes que estão acontecendo no Brasil, um cheiro fétido no ar de saudade (aliás, sempre houve, só que piorou conspiratoriamente), e eu, com esse soneto, estou apenas alertando as consciências para que não se deixem seduzir por mirabolâncias delirantes ou por excepcionalidades. Só isso. Mas, ainda bem que é uma minoria que fede essas idéias conspirativas. De qualquer forma, alertar é sempre bom.

Se se trocar o S por um P em LSD, o Lindo Sonho Delirante se tornará a realidade plúmbica de um Lastimável Pesadelo Devorador. E o ± animado do subtítulo deste trabalho pretende significar e simbolizar que o + e o dependem de nós — o povo. Não há ditadura ± dura; ditadura é ditadura. Nas ditaduras prevalece o império do medo capador. No soneto isto está simbolizado pela Jontex®, que pode ser interpretado de duas maneiras: a horrível censura ou a consciente ou inconsciente autocensura apocópica. Toda as ditaduras são castradoras, isto é, impedem que os indivíduos sejam profícuos ou efetivos. As leis podem ser frouxas, duras ou interesseiras, mas são as leis; por isso devem ser respeitadas e, quando for o caso, revogadas ou aprimoradas. Nas ditaduras isso é quase impossível; só os regimes democráticos podem fazer mudanças concertadas. Nas ditaduras o Estado é o ditador (et caterva); nas democracias o Estado (com todas as limitações conhecidas) é o povo. Enfim, as mudanças podem ser lentas, mas acabam acontecendo. O que está ocorrendo hoje no Brasil não pode ser motivo para pensamentos de exceção – fora do direito comum. Sempre e sempre que prevaleça o Estado de Direito – estamento em que o poder político pauta suas ações em estrita observância da ordem jurídica com perfeito equilíbrio entre o direito e o arbítrio. Eu voto, tu votas, ele vota, nós votamos, vós votais, eles votam. A cidadania só se efetivará e só se cristalizará pelo voto. Ainda que se possa considerar a Democracia um sistema falho — e é falho porque, entre outras falhas, no Presidencialismo, por exemplo, o presidente tem poderes quase imperiais — ele é o melhor sistema político que a Humanidade tem à sua disposição para poder viver e criar livremente. Em um sistema que não fosse democrático o Website Pax Profundis (e muitos outros) não poderia existir. Então, quanto mais se votar melhor. E não esqueçamos: voto não se dá, se empresta por um período determinado.

Por tudo que argumentei penso que tenha ficado claro que sou visceralmente contra toda e qualquer forma de arbítrio ou de poder absoluto. Não aceito e não me conformo que o poder não seja delegado pelo povo. No futuro será diferente. Essa coisa de dizer que o povo não sabe votar... Ora, quem sabe? Você acredita, confia e empresta seu voto. Se o político se mostra um filho da puta, cabe a quem votou nele não votar de novo nas próximas eleições, e auxiliar a que a legislação (como um todo) seja melhorada. Isso é exercitar a cidadania. Eu, por acaso, não votei nessa rataria que está emporcalhando a política brasileira. Quem votou que não vote de novo. Agora, golpe? Impeachment? Nunca. Nas quebras dos Estados de Direito as merdas existentes são sempre torcadas por merdas insolentes. Ponto.

 


Calígula/Nero
Há diferença essencial sensível?

2. Para os que ignoram o que é uma ditadura (seja ela autoritária, seja ela totalitária) e para os reaças saudosistas eu proponho que brinquemos juntos de forca. Então, a brincadeira brincante é a seguinte: arranjar um sinônimo (particípio de um verbo transitivo direto) com 10 letras (no singular) para o vocábulo prejudicado.

 

           

 

Se você teve alguma dificuldade ou se se sentiu mais ou menos encaçapado com essa forca, aponte o mouse para os tracinhos em movimento... Agora, apenas simbolicamente, se você apontar o mouse para a forca, verá simbolicamente um executor barrigudo de atitudes e de práticas carrascais e ditatoriais – que só produz objetivamente, com outros confrades da mesma caterva negra, milhares de milhões de ais. São assim, simbolicamente, os abomináveis. O que não é simbólico e é real, é que todos os instrumentos (conscientes e inconscientes) desses horrores são desfocados.

 

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QUATRO PENSAMENTOS PARA PENSAR
(Como eu sou cara-de-pau, meti um
pensamentozinho no meio (final)
dos pensamentozões desses cobras)

 

1º - Um ditador não passa de uma ficção. Seu poder, na verdade, se dissemina entre numerosos subditadores anônimos e irresponsáveis cuja tirania e corrupção não tardam a se tornar insuportáveis. Gustave Lebon (1841-1931).

 

2º - [Um ditador é o] chefe de uma nação que prefere a peste do despotismo à praga da anarquia. Ambrose Bierce (1842-1914?).

 

3º - A ditadura é o enfraquecimento nacional, porque é o regime em que o poder pode tudo e em que o cidadão nada tem [e pode]. Eduardo da Silva Prado (1860-1901).

 

4º - A ditadura, que tudo piora esponencialmente com aparência de melhora, é a madrasta maldita de todas as merdas bruxomaníacas e de todas as 'mensalãozadas' políticas que se possa imaginar. Rodolfo Domenico Pizzinga (1946-morto para apoiar ditaduras, mas vivo e trabalhando muito para combatê-las).

 

 

 

 

 

Fonte dos Trigêmeos

http://www.viceversa.com/Dynamic
/Products,intCategoryID,48,intItemID,1380.html

As outras fotografias digitais que usei para fazer as animações pertencem à Humanidade, à qual dedico, de coração, estes pensamentos. Os detentores dos direitos autorais das imagens são co-autores deste texto. Paz ao Mundo.