INFORMAÇÃO MÍSTICA

Rodolfo Domenico Pizzinga

Música de fundo: Theme From Spartacus (Alex North)

Fonte: http://home.wanadoo.nl/dougmckenzie/

 

INTRODUÇÃO

 

 

Uma das coisas que mais preocupam os místicos e as fraternidades místicas em geral é a delação/traição. Pelos mais diversos motivos, muitas pessoas, em um dado momento de suas vidas, buscam uma fraternidade mística para se afiliar. A imensa maioria dessas pessoas é sincera. Elas acreditam que chegaram a uma encruzilhada na vida no âmbito daquilo que se costuma denominar de espiritualidade, e querem, legitimamente, saber mais e ascensionar. No geral, é isso que acontece. Quando são religiosas, e isso também representa a maioria, suas religiões não mais as satisfazem. Incoerências, dogmas inexplicáveis, autoritarismos de toda ordem, informações desconexas e/ou classificadas, mentiras, comportamentos inaceitáveis dos dirigentes dessas religiões, incompatibilidades com o desenvolvimento científico etc. acabam desiludindo os membros dessas confrarias e os empurrando para fora. Não é incomum que antes de procurarem os portais de uma fraternidade mística mudem de religião algumas vezes. E assim, no final de tanta desilusão, acabam batendo nas portas de alguma irmandade mística ou esotérica. Mas, há alguns abençoados que parecem ter reencontrado o caminho de Casa. E há, por último, aqueles miseráveis que entram para as fraternidades para tumultuar e tentar liquidá-las ou destruí-las usando os mais diversos e negros expedientes, sendo o mais comum a traição. Este texto abordará brevemente a ação deste último (pequeno) grupo, mas que pode causar estragos gigantescos.

 

 

TRAIÇÃO

 

O que é uma traição? Qualquer dicionário explica que uma traição é a quebra da fidelidade prometida e empenhada por meio de um ato pérfido. Um traidor, assim, é aquele que atraiçoa, que divulga algo secreto. Nesse sentido, traidor e delator são a mesma coisa.

Mas, por que as pessoas traem? Aqui é que está o cerne da questão. Os motivos são diversos, mas se resumem a um só. Eu o consubstanciarei da forma mais elegante dizendo que um delator/traidor é um inadequado para a Iniciação. Pelo menos é inadequado para a Iniciação na faixa vibratória da fraternidade em acabou cometendo a traição. Sei que esta definição é simplória, mas, mesmo assim, ficarei com ela. Meu intuito com este texto não é ofender ninguém; apenas alertar e transmitir uma informação que claramente veio à minha mente enquanto eu estava tomando banho ontem à tarde. Eu não estava pensando nesse assunto, quando esse relâmpago passou pela minha cabeça. Achei, assim, que seria útil dividi-lo com todos.

Com o advento da Internet, trair, hoje, parece ter tomado contornos catastróficos. Trai-se por tudo e por nada. E o misticismo não está imune a issso. É muito fácil colocar na Web textos difamatórios contra os oficiais de instituições místicas e contra as próprias instituições. Poucos, contudo, têm a coragem de se identificar. São covardes, e por isso usam nicknames para esconder suas identidades. Geralmente essas matérias sórdidas são eivadas de ódio e de mentiras, e, não raro, tentam semear a dúvida e a discórdia entre os membros da irmandade atacada. O lamentável é que alguns se deixam influenciar por essa sopa de intrigas e acabam se desfiliando de suas fraternidades. Bem, entendo que essa situação – a desfiliação – é também uma experiência para aqueles que não souberam separar o trigo do joio. E volto a insistir que existem três formas básicas de aprendizado: pela dor, pelo amor e pela compreensão. Logo, se tiver que doer, doerá.

A traição, assim, envolve múltiplos aspectos. Mas, neste texto, tenho como objetivo abordar apenas um: a divulgação via Web de palavras de passe e de palavras místicas que possam envolver algum tipo de poder. O que é uma palavra de passe? Todos os místicos sabem que, resumidamente, uma palavra de passe é uma forma de identificar se um membro está apto ou qualificado para participar de um determinado colegiado. Divulgar palavras de passe pela Internet é uma alta traição, mas não causa estragos maiores nas fraternidades porque simplesmente podem ser trocadas. E não é apenas por alguém saber uma palavra de passe que será admitido a um Templo ou a uma Loja. Há outras formas de identificação complementares, e é muito difícil que um não-membro de uma fraternidade possa ter acesso a um ritual apenas por saber uma palavra de passe.

Quanto às palavras místicas a coisa é diferente. Primeiro é preciso que se compreenda que há mantras e palavras místicas que são universais. E há, por outro lado, aquelas palavras que são específicas e amalgamadas à egrégora de uma e somente uma irmandade.

AUM MANI PADME HUM, equivalente a OM MANI PADME HUM, misticamente pode significar: Oh! Meu Deus que estás em mim! Eu sou o que sou! Eu estou em Ti e Tu estás em mim! Esta frase indica a indissolúvel união homem-Universo. Este conjunto de palavras mântricas sagradas tem, segundo Helena Petrovna Blavatsky, um poder quase infinito nos lábios de um Adepto. Quando esta frase é pronunciada por um homem comum efeitos especiais protetivos são postos em movimento para o vocalizador e para as pessoas que estiverem a seu lado. Há, por assim dizer, outras aplicações para esta sagrada frase, mas não abordarei essa questão agora, senão o texto ficaria muito longo. Mas, quem desejar poderá encontrar explicações completas no volume VI de A Doutrina Secreta de Madame Blavatsky. Mas, infeliz daquele que utilizar esta sagrada frase para tentar praticar o mal. Não conseguirá e acabará pagando um preço altíssimo. Aliás, não é necessário pronunciar nada; basta a intencionalidade. Agora intencionalidade malévola + vocalização de um sagrado mantra não é igual a 1 + 1. A sinergia é de tal ordem que poderá desagregar o indivíduo por dentro em pouco tempo.

 

 

Um outro exemplo de mantra universal é o próprio OM (ou AUM). Às letras que compõem o sagrado mantra OM estão associados os números 6 e 40, cuja soma é 46, e cuja redução conduz ao número 1 — a unidade do Cósmico. Este mantra deve ser pronunciado prolongando-se a vogal M com os lábios cerrados. OOOMMMM...

 

 

Quanto aos sons vocálicos ou palavras místicas que estejam vinculados a uma determinada egrégora, sua divulgação é grave e coloca o delator em uma posição extremamente delicada perante as Potências que regulam e regem a fraternidade traída. Aqui é preciso observar que há dois tipos básicos de traidores: os que são excomungados e os que se auto-excomungam. Em um certo sentido, a auto-excomunhão é menos grave do que a excomunhão propriamente dita, ainda que o ato de trair seja igual nos dois casos. Segundo Vicente Velado, 7 PhD, FRC e Abade Especial da Ordo Svmmvm Bonvm para o Terceiro Mundo, a Excomunhão Rosacruz é um rito automático pelo qual as excrescências são extirpadas do Todo Rosacruciano. Ainda que o processo de excomunhão transcorra automaticamente exercido por esferas superiores, este anátema, segundo Velado, era, até o século passado, imposto apenas pelo Imperator. Com uma das mãos o Imperator fazia um gesto anatemático com os dedos, o qual projetava uma sombra cabalística reversa na aura do excomungado. Essa sombra acompanhava o traidor aonde quer que ele fosse, e ele não podia se livrar dela enquanto estivesse na assunção conscientemente assumida de seu crime místico.

 

 

Isso realmente é um horror. Mas, vou analisar agora o efeito da divulgação traidora das palavras sagradas. Por hipótese, pensemos em duas irmandades A e B. A, tanto quanto B, tem seus ritos, suas palavras sagradas ou de poder etc. Imagine-se que uma das palavras sagradas de A seja XY, que B tenha como uma de suas palavras santas WZ. Ora, em princípio, XY só tem efeito para os membros da irmandadade A, assim como WZ só se efetiva para os membros da irmandade B. Por outro lado, e isso é muito importante, o possível poder de um mantra vinculado a uma egrégora só funciona se o membro estiver ativamente vinculado àquela egrégora. Isto é: em princípio, XY não atuará na esfera de B, e WZ não atuará na esfera de A. E mais: o membro que se desliga ou é afastado de uma irmandade, particularmente pela excomunhão, perde o privilégio de poder utilizar tais palavras ou mantras sagrados. Se usar, não surtirá o efeito esperado. Isso tem uma equivalência para os não-membros de uma específica irmandade e para aqueles são de fora. Portanto, sob um aspecto profundamente esotérico duas coisas não são possíveis: usar palavras ou mantras sagrados para praticar o mal, e pretender ter algum tipo presumido de poder sem pertencer à egrégora de uma fraternidade específica. Simplesmente não funciona. Mas, não posso deixar de acrescentar que o poder pelo poder é nada. Poder destituído de um alto compromisso espiritual é um mero desenvolvimento psíquico que pode levar o arrogante e presumido poderoso à loucura. Ou à coisa pior.

Contudo, no limite, uma palavra sagrada poderá deixar de ter o poder que possuía, passando a ser um mero signo destituído de qualquer poder. A verdade concreta é que os traidores não têm, nunca tiveram e jamais terão acesso ao Svmmvm Bonvm. Não estão qualificados sequer para compreender o que seja o Svmmvm Bonvm. Nesse Plano, Poder e LLuz são uma só e a mesma coisa. Como um traidor poderia acessá-Lo? De qualquer forma, não posso e não quero deixar de pronunciar: paz aos traidores.

Logo, aos canalhas devo avisar: Não destruirão com delações e denúncias nenhuma fraternidade autêntica. Podem fazer todo tipo de magia e pronunciar todos os mantras do mundo que nada abalará os alicerces das autênticas irmandades. Poderão, quando muito, conforme já aludi um pouco mais acima, arrastar para a lama alguns desavisados. Mas, estou convicto de que esses mesmos desavisados, ainda que tolos, se são sinceros, retornarão ao antigo lar, e serão bem recebidos. E mais uma advertência: comparar é julgar, e quem se dispõe a fazer juízo de valor geralmente erra. E erra sempre para o lado pior do julgamento.

 

CONCLUSÃO

 

Mesmo que a divulgação de segredos pelos traidores de sempre não afete substantivamente uma fraternidade mística verdadeira e autêntica, o preço pela traição deverá ser pago até a última gota. Portanto, aqui cabem duas advertências: antes de trair recolha-se ao seu santuário e meça as conseqüências; o maria-vai-com-as-outras poderá acabar em um buraco sem fundo no qual aquele que lá o meteu nada fará para ajudá-lo a sair.

Discordar, pode: trair, não deve. Opinar, pode; revoltar-se, não deve. Sugerir, pode; conspirar, não deve.

 

 

Websites Consultados

http://sprott.physics.wisc.edu/fractals/collect/1995/

http://svmmvmbonvm.org/corrupt.htm

http://svmmvmbonvm.org/aum_muh.html

http://www.shaktis-hexenkessel.de/